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3 de Julho de 2022

Síndrome de Burnout entre os professores: perigos e estratégias de prevenção

Entenda o que é a síndrome e o papel da gestão escolar

Edmille Santos, Advogado
Publicado por Edmille Santos
há 2 anos


A Síndrome de burnout, também conhecida como a Síndrome do esgotamento profissional, é definida como um estado físico e mental de profunda extenuação, que se desenvolve em decorrência de exposição significativa a situações de alta demanda emocional no ambiente de trabalho.

Apesar de ser vivida por profissionais de diversas áreas, a Síndrome do burnout acomete de forma mais acentuada nos profissionais da área da educação, isto porque a rotina do educador é rodeada de situações de estresse, além do intenso e contínuo envolvimento emocional nas relações educacionais.

Para analisar os fatores que causam a síndrome de burnout, encontramos três dimensões ou sub-escalas: exaustão emocional, despersonalização e reduzida realização profissional.

Na exaustão emocional, os educadores experimentam sensação de fadiga e falta de energia para lidar com situações de estresse e altas exigências no trabalho.

Já na despersonalização, o profissional da educação se manifesta com atitudes negativas e insensíveis com as pessoas no trabalho, mantendo um comportamento de isolamento ou afastamento dos colegas e da comunidade escolar como um todo.

Por fim, na reduzida realização profissional, encontramos a baixa satisfação com a execução do trabalho, autoavaliação laboral negativa e sentimento de desapego e frustração profissional.

Dentro dessa tríade de sintomas clássicos, podemos exemplificar com manifestações físicas de: alteração no apetite, cansaço físico extremado – sensação de esgotamento físico, transtornos cardiovasculares – taquicardia, alteração da pressão arterial.

Nas manifestações psíquicas, encontramos no Burnout: dificuldade de concentração, diminuição de atenção e memória, diminuição da satisfação e do sentimento de realização, sentimentos de solidão e impotência.

Nas manifestações comportamentais temos: absenteísmo (faltas no trabalho), inflexibilidade, perda de iniciativa, perda de interesse pelo trabalho ou lazer, impaciência e agressividade.

Agora que já sabe algumas manifestações físicas, psíquicas e comportamentais que encontramos no Burnout, faça uma autoavaliação com 10 perguntas básicas sobre você:

1. Como administro o meu tempo de trabalho?

2. Como lido com as atribuições em caráter de urgência?

3. Minha rotina de trabalho está bem organizada?

4. Uso como desculpa a falta de tempo para não praticar exercícios físicos?

5. Permito que as condições de trabalho interfiram na minha qualidade de vida?

6. Separo um momento do meu dia para me desligar do uso do telefone, computador e redes sociais?

7. Estou frequentemente com disposição para experimentar desafios e projetos novos na minha profissão?

8. Estou com tempo na minha rotina para descansar?

9. Você sempre abre mão das suas férias e não sabe a ultima vez que gozou desse benefício integral no seu trabalho?

10. Você mantém um comportamento de afastamento dos colegas e da comunidade escolar?

Atenção! A Síndrome de Burnout surge e se desenvolve de forma lenta e progressiva, acumulando vários sinais e sintomas, os quais nem sempre se desenvolvem ao mesmo tempo.

Estratégias de prevenção

A Síndrome de Burnout é o reflexo do ambiente de trabalho e suas relações. Partindo dessa ideia, devemos não apenas abordar isso entre os professores e todos os colaboradores da comunidade escolar, mas criar estratégias direcionadas ao funcionamento dos profissionais.

Vale salientar que a importância não diz respeito apenas à qualidade de vida de quem é afetado pelo Burnout ou possui riscos potenciais, mas também prevenir perdas econômicas que vem com resultado do absenteísmo (faltas no trabalho), rotatividade de profissionais e aposentadorias precoces, que são realidades presentes nas instituições educacionais.

Dessa forma, é fundamental que a gestão promova regularmente avaliações periódicas das fragilidades internas e externas para a criação de adequações organizacionais.

Ademais, fomentar palestras e encontros direcionados a levar informação sobre o burnout, também são de grande importância na prevenção, para identificar os sintomas e garantir intervenções precoces dentro da comunidade escolar.

Para isso existe a figura dos treinamentos coorporativos nas instituições de ensino onde é levado conhecimento e prevenção, bem como estratégias individuais e grupais para que sejam eficazes no contexto organizacional.

Ações como o treinamento coorporativo são de extrema relevância para a gestão, pois proporcionam a integração dos profissionais, promove a troca de experiência, o apoio mútuo e reduz a tensão no ambiente de trabalho.

Em caráter complementar, existem fatores que contribuem para a melhora do burnout nos profissionais, como hábitos de exercício físico, dormir bem, alimentação equilibrada e ter regularmente momentos de lazer.

Não tem segredo: construir um ambiente de trabalho saudável é o caminho que faz a instituição de ensino se tornar cada vez mais forte e em constante crescimento.

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MSS Advocacia, Advogado
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